A importância de ir votar

 

A importância de ir votar

DN

Em democracia, o voto é a voz do povo. Como ontem disse o Presidente da República, "o momento que vivemos é de particular exigência". É por isso, nunca é demais sublinhar, que é decisivo em cada eleição estar disponível para fazer escolhas.

Cavaco Silva frisou bem que o facto de estas eleições se realizarem "num tempo de sacrifícios" é razão acrescida para que cada um manifeste, pelo voto, quem considera estar em melhores condições para assumir a condução do próximo governo. Não colhe pois a tese de que as pessoas estão fartas, desiludidas, desencantadas com a política e com os políticos.

Na democracia, o momento do voto é, porventura, o mais nobre e mais livre de todos os momentos. Aos cidadãos, sem paternalismos, é preciso recordar que o descontentamento com os partidos do sistema só tem um caminho aceitável: a apresentação de propostas políticas alternativas que se traduzam em possíveis novos movimentos políticos. A alternativa à democracia passa pois pelos totalitarismos e as ditaduras, de todo indesejáveis e inaceitáveis.

A abstenção não se traduz naturalmente em perda de direitos. Mas, como também disse o Presidente da República, significa a demissão de uma escolha que é "essencial para todos" e a redução de legitimidade para depois "criticar as políticas públicas".

Como disse um dia o ex-primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, "a democracia é o pior de todos os sistemas à excepção de todos os outros". Há por isso que a preservar e acarinhar, através do voto.

Europa, cultura e geografia

O Papa foi ontem muito claro em Zagreb: "A crise do Ocidente não tem solução", se as exigências éticas e os deveres da moral não forem reconduzidos ao centro de toda a acção política. Esta é serviço e dever para com as sociedades, de onde se procura expulsar a religião e se persegue um individualismo "sem deveres". Ciente das raízes cristãs e europeias da Croácia, Bento XVI deseja a sua adesão à UE, para que contribua para o reforço dos "valores cristãos" do Velho Continente.

A visita do Papa coincide com um momento de viragem na Croácia. As negociações da adesão à UE avançam a bom ritmo; o país celebra o 20.º aniversário da independência; a própria sociedade croata está em mudança. Aqui, como no resto da Europa, verifica-se o declínio da prática religiosa e de influência da Igreja territorial. E também neste país dos Balcãs se vive a pressão de "um individualismo que alimenta uma visão da vida sem deveres".

O diagnóstico do Papa sobre o nosso tempo corresponde à realidade - em larga medida. A sociedade contemporânea vive fascinada pelo transitório, a fluidez e rápida mutação de referências, a hipermodernidade (a absolutização do instante). A Europa política vive também uma crise, que não é só financeira, é da dimensão de projectos e da sua viabilidade. A adesão da Croácia é inevitável e "justa", di-lo Bento XVI. Mas a Croácia esteve sempre ancorada na Europa, na sua geografia e na sua história. O combate de que fala o Papa não é de nações ou de vínculos históricos; é um combate pelas pessoas. Ele está certamente correcto no diagnóstico dos tempos que vivemos; a Igreja nem sempre o estará. Afinal, também ela, como parte da história europeia, partilha responsabilidades pela crise ocidental. Diogo e Fábio

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Jogo de tabuleiro sobre o ar

As diferentes camadas da atmosfera

A história do Natal